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Previsão Indicados ao Oscar 2014

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Com a escolha do nacional O Som ao Redor para representar o Brasil por uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro na premiação de 2014, as obras miradas ao evento começam a chegar. Daqui em diante os estúdios começam a lançar suas produções com chances reais de indicações, e as massivas campanhas de marketing. Serão quatro meses com algumas das melhores obras cinematográficas do ano, algumas das quais serão exibidas durante o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo, eventos de grande prestígio no Brasil. Por aqui, no entanto, muitos desses filmes só entrarão em cartaz no ano que vem, em janeiro e fevereiro. Mesmo sem muitos ainda terem sido lançados (mesmo nos EUA), vamos dar uma olhada nos filmes que estão chamando mais a atenção para o Oscar 2014.

Rush – No Limite da Emoção

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Começamos com o filme que foi o primeiro com grandes chances de Oscar a chegar ao Brasil. Rush estreou por aqui com uma semana de antecedência em relação aos Estados Unidos, talvez pela grande paixão dos brasileiros pelo esporte retratado na obra, a fórmula 1. Mas engana-se quem pensa que o filme é apenas isso, e iria deixar de assisti-lo por não gostar muito do esporte. Assim como as grandes obras do cinema, Rush é sobre seus personagens. O prestigiado Ron Howard (Uma Mente Brilhante) volta com tudo e tem grandes chances de ser indicado para melhor diretor. Outro que chama a atenção é o talentoso Daniel Brühl (que encena um ótimo Niki Lauda), que muito bem pode abocanhar uma indicação na categoria de ator, ou coadjuvante. Chris Hemsworth (o Thor) entrega o melhor trabalho de sua carreira como o piloto James Hunt.

 

O Mordomo da Casa Branca

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Se Rush foi o primeiro filme com chances de Oscar a chegar ao Brasil, The Butler (como é conhecido originalmente) foi o primeiro a ser lançado nos Estados Unidos. Estreando no dia 16 de agosto por lá, o filme repercutiu tanto na mídia especializada, que uma indicação na categoria principal é quase 100% certa. No filme, Forest Whitaker (vencedor do Oscar por O Último Rei da Escócia) vive um mordomo que serviu na Casa Branca durante o mandado de diversos presidentes americanos (como Kennedy, Nixon e Reagan, entre outros). Baseada em fatos reais, a produção conta com um elenco de apoio estelar que vai desde Oprah Winfrey e Jane Fonda até Robin Williams e Cuba Gooding Jr., e indicações de coadjuvantes podem chover para eles. Whitaker tem certo favoritismo na indicação como ator, e a obra deve levar ainda na categoria de filme, e diretor para Lee Daniels (Preciosa).

 

12 Years a Slave

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Outro forte concorrente a indicações é o novo trabalho do cineasta Steve McQueen (Shame). O filme, passado antes da Guerra Civil Americana, que dividiu o país pela abolição da escravatura, fala sobre perseverança e a luta por justiça. Chiwetel Ejiofor (Coisas Belas e Sujas) interpreta um homem negro e livre, que é sequestrado e vendido como escravo para uma plantação, na qual passa 12 anos tentando reaver sua liberdade, e a chance de reencontrar sua família. Também baseado em fatos reais, o filme tem um grande elenco de apoio, que conta com gente como Brad PittMichael FassbenderPaul GiamattiPaul DanoBenedict Cumberbatch e a Indomável Sonhadora em pessoa, Quvenzhané Wallis. Aqui, também poderão sobrar indicações para os coadjuvantes, mas a quase certeza é para as categorias de melhor filme, diretor par McQueen e ator para Ejiofor.

 

American Hustle

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Embora ainda não tenha sido exibido, nem em Festivais, esse filme já chama grande atenção para o Oscar. O motivo: Esse é o novo trabalho do novo queridinho da Academia, o diretor David O. Russell. Numa das maiores voltas por cima de todos os tempos, o diretor que quase viu sua carreira encerrada após os péssimos relacionamentos com seus atores em filmes iniciais (o diretor saiu no braço com George Clooney no set de Três Reis, e as brigas homéricas com o elenco de Huckabees, em especial com a veterana Lily Tomlin, estão na internet para todos verem), o diretor nunca esteve tão popular. As brigas são coisas do passado, e Russell agora é um novo homem. Seu sinônimo atual é qualidade. O diretor foi um dos grandes nomes no radar dos Oscar 2011 e 2013, com obras como O Vencedor e O Lado Bom da Vida. Coisa que deverá se repetir em 2014, quando o diretor terá American Hustle, filme sobre falsificadores de obras de arte (também baseado em fatos reais), lançado. Unindo o elenco de seus filmes mais prestigiados, o novo trabalho poderá ver os talentos de Christian BaleBradley CooperAmy Adams e Jennifer Lawrence (além de Robert De Niro e Jeremy Renner), recompensado com indicações. Além, é claro, de melhor filme e diretor.

 

Álbum de Família

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Os grandes filmes com chances para o Oscar 2014 parecem ter uma coisa em comum: Todos fazem uso de um grande elenco renomado. Aqui, temos um dos maiores e melhores do ano, encabeçado pelas musas Meryl Streep e Julia Roberts (dividindo a tela pela primeira vez). Só isso já bastaria para chamar a atenção. Baseado numa peça do ótimo Tracy Letts, esse é o primeiro filme da lista a não ser inspirado em fatos reais. Aqui, temos retratada a reunião de uma família extremamente disfuncional. Streep é a matriarca, interpretando uma megera, e Roberts é sua filha amargurada. Esse é um filme nos moldes de clássicos como Laços de Ternura. O elenco grandioso conta com Ewan McGregorJuliette LewisAbigail BreslinBenedict Cumberbatch e Chris Cooper. Apesar de levantar falatório sobre as indicações de Roberts e Streep, uma performance que vem sendo muito elogiada é a da não muito conhecida Julianne Nicholson (da série Lei & Ordem).

 

Azul é a Cor Mais Quente

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Graças a Amor, que reabriu o precedente de filmes não falados em inglês serem indicados ao prêmio principal do Oscar, essa produção francesa tem grandes chances de abocanhar uma vaga na categoria. O grande vencedor da Palma de Ouro desse ano, prêmio máximo no Festival de Cannes, conta a história íntima, de forma muito explícita, do romance de duas jovens. Ousado e revelador, o filme recebeu a censura máxima em exibições de Festivais, como o de Toronto (que chegou ao fim recentemente). Baseada numa graphic novel, a obra chamou a atenção do júri de Cannes, presidido pelo sempre correto Steven SpielbergAzul é a Cor Mais Quente, que por aqui pode receber seu título original francês, A Vida de Adele, é alardeado como uma das melhores produções do ano, pelos especialistas. Quem sabe, uma vaga na categoria de melhor atriz ainda caia igualmente para alguma das duas protagonistas, Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos – que se for indicada travará a língua de seu anunciante.

 

Blue Jasmine

Por falar na cor azul, o novo trabalho do cultuado veterano Woody Allen continua sua maré de ótimas produções chamativas no Oscar. Depois de Meia Noite em Paris ter sido indicado para 4 Oscar, e levado na categoria de melhor roteiro, Blue Jasmine é seu novo filme de tremendo prestígio. Muito elogiado, desde que estreou no fim de julho nos Estados Unidos, o filme joga os holofotes em sua protagonista, Cate Blanchett, que interpreta uma socialite despida de todos os bens, precisando dar a volta por cima. Esse é um forte drama, dizem os críticos que já puderam conferir, e remete a Interiores (um de meus preferidos do diretor). A indicação de Blanchett é quase certa, mesmo o filme tendo estreado afastado da época de premiações. Quando o diretor acerta, ele acerta mesmo, e agora com a opção de dez filmes indicados na categoria principal, quem sabe além de BlanchettBlue Jasmine também seja lembrado.

 

Inside Lleweyn Davis

Um dos filmes de maior hype para a época de premiações, esse é o novo trabalho dos irmãos Coen (Bravura Indômita). Uma excursão pelo universo da música folk da década de 1960, que tem todo o clima melancólico das produções dos cineastas. O guatemalteco Oscar Isaac dispara na frente, ao lado de Forest Whitaker, como favorito para a indicação de melhor ator, na pele do personagem título, um sujeito azarado tentando se fazer como músico profissional. Assim como muitos filmes mirados a premiações desse ano, a nova obra dos Coen conta com um grande elenco, o que pode significar mais indicações para o filme. Nomes como John GoodmanCarey Mulligan Justin Timberlake, transitam pela produção. Os Coen são sempre favoritos na Academia.

 

O Quinto Poder

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Uma das produções mais controversas do ano, essa obra do diretor Bill Condon (Dreamgirls) aborda um tema muito sensível atualmente para os americanos, a vida de Julian Assange e seu site, o WikiLeaks. Acusado de espionagem e de revelar segredos da segurança americana, Assange está foragido de seu país, buscando asilo político em embaixadas, correndo risco de vida. A produção pode ser considerada muito inflamatória, dependendo de seu resultado, para os moldes da Academia, que sempre acaba optando por ficar afastada de produções muito polêmicas. E isso poderá prejudicar o desempenho do filme no Oscar. Benedict Cumberbatch interpreta Assange, e o elenco conta ainda com Daniel Brühl (em ótimo ano), David ThewlisStanley TucciLaura LinneyAlicia VikanderAnthony Mackie e Carice van Houtten.

 

O Conselheiro do Crime

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Dirigido por Ridley Scott, e escrito por Cormac McCarthy, esse filme talvez não tenha um apelo muito forte para o Oscar. De qualquer maneira não deixa de ser uma produção chamativa para esse fim de ano, que conta com um elenco de peso, aparentemente em seu melhor, e a direção de um mestre. Michael Fassbender protagoniza como um advogado que resolve se meter no perigoso terreno do tráfico de drogas. Javier Bardem, numa caracterização bem chamativa e caricata, vive o sócio criminoso do advogado. Penélope Cruz é o interesse romântico do protagonista, e Cameron Diaz vive uma femme fatale com tatuagens nas costas e pescoço. O filme conta ainda com o coadjuvante de luxo do ano, Brad Pitt, que impulsiona esse projeto e 12 Years a Slave.

 

ATRIZES

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Desde que pudemos bater os olhos na impressionante caracterização de Naomi Watts como a Princesa de Gales, em Diana, sabíamos que a talentosa atriz compensaria a ótima maquiagem com uma performance elogiada. No entanto, a crítica não foi apenas elogios para a produção, pelo contrário. E isso pode ferir as chances de Watts no Oscar. Ao mesmo tempo, precisamos lembrar que Sete Dias com Marilyn e (especialmente) A Dama de Ferro, foram produções recebidas com o mesmo tipo de desânimo, mas que renderam à suas protagonistas indicações, e no caso de Streep a vitória. Outra caracterização certeira vem da amiga de Watts, a atriz Nicole Kidman, como outra princesa, dessa vez de Mônaco, na cinebiografia de uma das musas mais prestigiadas do cinema, Grace Kelly, em Grace of Monaco. Outra que dispara na frente é a dama Judi Dench, com sua atuação no elogiado drama cômico de Stephen FrearsPhilomena. No filme, Dench vive uma mulher à procura de seu filho, que doou para a adoção, muitas décadas atrás.

 

ATORES

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Rufem os tambores. Ele está de volta. Sim, Nicolas Cage, um dos atores mais depreciados pelos verdadeiros cinéfilos na atualidade, volta ao prestígio de uma performance elogiada. Indicado ao Oscar por Adaptação (2002) e vencedor por Despedida em Las Vegas (1995), Cage talvez já tenha pago todas as suas dívidas financeiras, e agora já possa voltar às produções de qualidade. Em Joe, o ator vive um ex-presidiário que conhece um garoto, e passa a ter uma relação paternal com o jovem. Os críticos que puderam conferir o filme disseram que ficarão surpresos se Cage não for lembrado na categoria de melhor ator. Quem chamou muita atenção com um desempenho totalmente inusitado foi Jude Law, que vive um criminoso incorreto e obsceno em Dom Hemingway, nova produção de Richard Shepard (O Matador, 2005). O veterano Bruce Dern levou o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes desse ano, ao personificar um pai ausente e beberrão, que sai numa viagem de carro pelo país ao lado do filho, em Nebraska, novo trabalho de Alexander Payne (Os Descendentes).

 

Behind the Candelabra, anunciado como último filme do diretor Steven Soderbergh, tem desempenhos elogiados de Matt Damon e Rob Lowe (sim, acreditem), mas principalmente do veterano Michael Douglas que vive o músico enrustido Liberace. Como essa foi uma produção feita para a TV, embora tenha sido exibida nos cinemas fora dos EUA, sua indicação talvez fique restrita a prêmios para a telinha. Mandela: A Long Walk to Freedom traz um forte desempenho do protagonista Idris Elba, embora os especialistas tenham dito que o filme não corresponda tanto. Essa pode ser a segunda vez em pouco tempo que um ator é indicado ao Oscar por interpretar o respeitado líder político (depois de Morgan Freeman em Invictus). Os Suspeitos é o suspense mais elogiado do ano. Comparado a Seven, de David Fincher, o filme traz Hugh Jackman como um pai disposto a tudo para encontrar o paradeiro de sua filha pequena desaparecida. Os especialistas dizem que Jackman pode buscar sua segunda indicação consecutiva, e elogiam os desempenhos de Jake Gyllenhall e Paul Dano, também no elenco.

 

Dose Dupla George Clooney

Desde que reinventou sua carreira, Clooney recebeu o status de astro. No entanto, ele decidiu fazer muito mais com o título, e se tornou um dos atores de maior prestígio do cinema atual. Mas ainda não estava bom, então Clooney se tornou também um talentoso diretor. Em 2013 a ameaça dupla de Clooney volta, primeiro com Gravidade, o filme mais elogiado do ano pelos críticos. Tido como descendente direto de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, o filme altamente conceitual tem apenas dois atores no espaço. Apesar da presença de Clooney, esse é dito ser um show de Sandra Bullock, que poderá ser indicada como melhor atriz. Gravidade deve ainda receber diversas indicações, como filme, roteiro e diretor. O outro filme de Clooney no ano é The Monuments Men, intitulado de Caçadores de Obras-Primas, por enquanto no Brasil. Essa é a quinta produção dirigida por Clooney, que vem sendo definida como o Bastados Inglórios de obras de arte.

 

Dose Dupla Joaquin Phoenix

Desde que voltou de sua pretensa loucura (para o falso documentário I´m Still Here), Joaquin Phoenix se regenerou, ao mesmo tempo se tornando uma figura avessa a todo tipo de premiação. O novo bad boy de Hollywood se tornou um dos atores americanos de maior prestígio também, e ano passado recebeu sua terceira indicação ao Oscar, numa das performances mais comentadas de 2012, em O Mestre. Esse ano Phoenix poderá ficar lá nas cabeças novamente, com dois novos trabalhos chamativos. O primeiro é em Her, novo filme de Spike Jonze (Adaptação), no qual vive um sujeito introvertido que se apaixona pelo sistema de inteligência artificial que toma conta de sua casa, e possui a voz de Scarlett Johansson. O outro é The Immigrant, filme de James Gray (diretor cuja colaboração é constante), no qual Phoenix vive o vilão, um sujeito insidioso que alicia uma jovem imigrante francesa, vivida pela sempre ótima Marion Cotillard, à vida de prostituição, na Nova York da década de 1920.

 

 

Dose Dupla Matthew McConaughey

Outro ator que ressurgiu das cinzas, mas não de uma surtação ou pretensa loucura, e sim de uma carreira morna, e fadada a papéis de galã em comédias românticas rasas e açucaradas. A volta do ator às produções de qualidade recebeu inclusive um termo nos Estados Unidos, a “McConaissance”, sua renascença como artista. Nos últimos dois anos foram diversas obras acima da média, ou desempenhos marcantes como ator, que incluem Magic MikeKiller Joe – Matador de AluguelAmor BandidoBernie e o inédito Obsessão (de Lee Daniels). Em 2014, McConaughey (que nunca foi indicado ao Oscar) pode ter finalmente seu talento reconhecido, em duas produções. A primeira é The Wolf of Wall Street, novo filme de Martin Scorsese no qual o ator aceita um papel coadjuvante para Leonardo DiCaprioScorsese é sempre um atrativo em premiações e DiCaprio já cansou de ser esnobado pela Academia. Quem sabe o filme não traga sorte para todos os envolvidos. Mas chances mesmo, afirmam os especialistas, McConaughey tem em Dallas Buyers Club. O filme baseado em fatos reais (e o que mais?) traz o ator na pele de um sujeito diagnosticado com o vírus HIV bem na época de seu surgimento, durante da década de 1980. McConaughey perdeu muito peso para viver esse inusitado cowboy, que vira traficante de medicamentos. Jared Leto, ator e dublê de cantor, possui grandes chances de indicação com seu desempenho no papel de um transexual também portador da doença. Sua transformação é igualmente impressionante.

 

Dose Dupla Tom Hanks

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Finalizando a categoria de atores que possuem chances em dobro de indicações, temos a volta de outro ex-favorito da Academia, Tom Hanks. Um dos únicos artistas da história do Oscar a receber o prêmio de melhor ator por dois anos consecutivos, com Filadélfia e Forrest GumpHanks ainda foi indicado mais duas vezes depois de sua última vitória. Em 2014 Hanks poderá ser lembrado por dois desempenhos bem diferentes. O primeiro é em Capitão Phillips, thriller de ação dirigido por Paul Greengrass (Voo United 93) que fala sobre a história real de uma embarcação abordada e tomada por piratas somalis. Esse promete ser um filme extremamente tenso, e os críticos que já puderam conferir a obra elogiaram a atuação de Hanks. E o segundo filme, uma obra mais leve e amistosa, é Saving Mr. Banks, que conta a história de como Walt Disney suou para convencer a escritora P.L. Travers a liberar os direitos para a adaptação de Mary Poppins ao cinema. Hanks interpreta Disney, e a britânica Emma Thompson é Travers. O filme é dirigido por John Lee Hancock, de Um Sonho Possível.

 

AZARÕES

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Aqui iremos falar de filmes pequenos, independentes, sem grandes estúdios os bancando por trás, e que geralmente chamam a atenção mais em festivais de cinema, do que de fato em grandes premiações. Mesmo assim, essas obras foram elogiadas o suficiente, ou possuem grande expectativa e falatório, para serem elegíveis como possíveis indicados. Fato que deve-se muito a um dos melhores filmes do ano passado, o adorável Indomável Sonhadora. Dos filmes independentes desse ano, o que possui mais chances talvez seja Fruitvale Station, baseado em fatos reais da tragédia de um jovem negro, que a caminho de uma festa de réveillon, encontra num trem antigos desafetos e é preso por uma polícia despreparada. O filme vem sendo muito elogiado. Outros campeões de elogios no ano são Short Term 12, recém lançado nos EUA, o filme apresenta jovens funcionários de uma instituição para menores abandonados, e revela o talento de Brie Larson (Anjos da Lei), atriz de 23 anos. The Spectacular Now é tido como o As Vantagens de Ser Invisível de 2013, um filme que retrata de forma sincera a vida e relacionamentos de jovens. Shailene Woodley (Os Descendentes) e Miles Teller (Footloose, 2011) interpretam um casal apaixonado de personalidades diferentes.

 

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Ain´t Them Bodies Saints talvez seja pesado, controverso e artístico demais para uma celebração tão mainstream quanto o Oscar. De qualquer forma, nessa obra rústica que ressoa Terra de Ninguém, de Terrence Malick, temos ótimos desempenhos. Casey Affleck vive um sujeito que leva a culpa pelo assassinato cometido por sua esposa, a igualmente ótima Rooney Mara. O thriller dramático Blue Caprice acaba de ser lançado sob ótimas avaliações nos Estados Unidos. A produção inquietante e violenta fala sobre o caso real dos assassinatos cometidos por um atirador de elite em 2002. A obra traz um desempenho acima da média do protagonista Isaiah Washington (Irresistível Paixão, 1998). Igualmente elogiada é a performance do eterno Harry PotterDaniel Radcliffe em Kill Your Darlings. O filme fala sobre diversos ícones da literatura e poesia americana do movimento beat, se unindo para investigar um assassinato, durante a década de 1940, quando ainda eram estudantes.

 

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Labor Day, que por aqui se chamará Refém da Paixão, é o novo filme do prestigiado Jason Reitman, talentoso diretor de Juno e Amor Sem Escalas. Na obra, Kate Winslet (uma favorita da Academia) vive uma mulher solitária que abriga em sua casa um fugitivo da lei, interpretado por Josh Brolin. The Inevitable Defeat of Mister & Pete apresenta dois meninos passando por um verão repleto de dificuldades quando suas mães são presas e eles precisam se virar sozinhos, num conjunto habitacional do Brooklyn. Se tiver sorte, essa produção que tem a bela e talentosa música Alicia Keys como produtora, poderá se tornar o Indomável Sonhadora do ano, apesar de ser muito mais amargo. Enough Said pode encantar plateias e os votantes do Oscar, e vem sendo taxada como uma das comédias dramáticas mais agradáveis do ano. Obra póstuma do talentoso James Gandolfini, esse é o novo trabalho da diretora indie Nicole Holofcener, de Sentimento de Culpa, e conta com a subestimada Julia Louis-Dreyfus (a eterna Elaine de Seinfeld) como protagonista.

 

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Para finalizar, como desejos pessoais acima de qualquer outro filme, Frances Ha e Antes da Meia Noite foram duas das produções independentes americanas mais elogiadas pelos especialistas, e poderiam render indicações de roteiros originais, ou quem sabe de atuações. A genuína Greta Gerwig dá vida a uma das personagens mais originais e autênticas do cinema recente, como Frances Ha, num filme que mistura desde Woody Allen até filmes europeus numa obra em preto e branco. E Antes da Meia Noite é a terceira parte da saga romântica de Jesse e Celine, vividos por Ethan Hawke e Julie Delpy, iniciada em Antes do Amanhecer (1995) e continuada em Antes do Pôr do Sol (2004). Dessa vez, depois de quase duas décadas juntos, o casal reflete o peso de seu relacionamento, no que talvez seja o mais honesto e real dos três filmes.

 

por Pablo Bazarello 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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